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Instituto Cândida Vargas garante acolhimento humanizado a mulheres vítimas de violência

O elevado número de ocorrências de violência contra a mulher reforça a importância de um atendimento especializado e humanizado. Diante dessa realidade, o Instituto Cândida Vargas (ICV), unidade mantida pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), vem se consolidando como referência no acolhimento de adolescentes e mulheres em situação de violência sexual e outras formas de agressão, por meio de uma atuação realizada por equipe multiprofissional e com garantia de sigilo.

“Quando uma mulher que sofreu algum tipo de abuso sexual chega ao ICV, o primeiro passo é o acolhimento e a imediata classificação de risco vermelha. Isso possibilita que o atendimento ocorra o mais rápido possível, sem ter de passar por nenhum tipo de exposição ou constrangimento. Em seguida, ela é encaminhada para exames laboratoriais e testes específicos, como os de sífilis, HIV, assim como os de hepatites B e C”, explicou a psicóloga Sandra Garcia, coordenadora multiprofissional do ICV.

De acordo com dados atualizados, no período de janeiro a dezembro de 2025, foram assistidas 211 usuárias em situação de violência, sendo que 56 delas realizaram aborto legal em decorrência de estupro, conforme previsto em lei. Os números indicam ainda que os atendimentos apresentam uma demanda relativamente constante, com predominância de casos provenientes de João Pessoa, embora o suporte a outros municípios também seja significativo.

Atendimento – O ICV segue um protocolo onde a vítima faz seu relato apenas uma vez, preservando o emocional da mulher. A paciente é acompanhada por uma equipe multiprofissional, composta por um médico, enfermeira, psicóloga e assistente social, que realiza uma escuta qualificada. Após avaliar cada situação, a equipe faz os encaminhamentos específicos. Caso ela chegue dentro de 72 horas do ocorrido, é oferecida a profilaxia para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, medicamentos para evitar gravidez indesejada e vacinas como a imunoglobulina contra hepatite B.

“O atendimento humanizado envolve todos os profissionais que compõem a linha de cuidado onde essa usuária irá passar. A organização inclui o acolhimento, vínculo e a responsabilização de todos da equipe de saúde, que vai da recepção, vigilância, higienização, até a própria equipe multiprofissional, com todos voltados à atenção integral a essa usuária”, destacou Sandra Garcia.

Tipos de violência – Conforme os números apresentados pelo Instituto Cândida Vargas, durante todo o período de 2025, a violência sexual apresentou a maior incidência de atendimentos com 163 casos, equivalentes a 77% das notificações desse agravo, seguidas de estupros de vulneráveis com 31 casos notificados, o que equivale a 17%. Outros 12 casos representam ocorrências de violência doméstica, seguidos de 4 casos de violência autoprovocada e 1 de violência física.

Todas as notificações ficam registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o que permite o mapeamento epidemiológico, a identificação de riscos e a avaliação do impacto das intervenções de saúde realizadas pelo ICV.